Escritoras
Se você é uma pessoa que está interessada em ler mais obras
escritas por mulheres, quer valorizar “as minas”, mas não sabe por onde
começar, seus problemas acabaram! Fique com essa lista de nomes de
escritoras e suas principais obras
Por Thaís Campolina, em Ativismo de Sofá
A literatura é um espaço predominantemente branco, masculino e
hétero. As listas de leitura obrigatória das escolas e de livros
premiados são uma amostra de como mulheres escritoras são desvalorizadas
pelas editoras e às vezes pelos próprios leitores. Clarice Lispector e
Cecília Meireles, por exemplo, são os poucos nomes femininos que
aparecem listados.
Como mulheres sequer são vistas como sujeito, a literatura escrita
por elas é muitas vezes definida como “livros para mulheres”, como se
mulheres não fossem capazes de escrever livros tão bons e interessantes
como homens e como se o que é escrito por mulher não fosse digno de
atenção da ala masculina.
Quando falamos sobre a baixa representatividade de escritoras
mulheres ou de escritores negros, sempre ouvimos que mulheres, sejam
negras ou brancas, e homens negros são mais raros nesse mundo bem
restrito por “incapacidade” e não pelos motivos reais, que são a falta
de oportunidade e até mesmo o apagamento dado aos membros desses grupos
nos livros de história e literatura.
Se você é
uma pessoa que está interessada em ler mais obras escritas por mulheres,
quer valorizar “as minas”, mas não sabe por onde começar, seus
problemas acabaram! Fique com essa lista de nomes de escritoras e suas
principais obras:
Carolina Maria de Jesus
foi uma mulher negra e brasileira que teve um de seus livros traduzido
para 13 idiomas. Sua obra mais conhecida é “O quarto de despejo”, um
livro que é um diário que conta o cotidiano e as reflexões dela como
mulher pobre e negra vivendo nos anos 50 numa cidade grande. Outras
obras: “Pedaços da Fome” e “Casa de Alvenaria”.
Anne Rice
escreve séries de livros de terror e fantasia. Seu maior sucesso
literário é “Entrevista com o vampiro” que foi adaptado posteriormente
ao cinema. Outras obras: “A rainha dos condenados”, “Tempo dos anjos”,
“Os lobos da invernia” e “A dádiva do lobo”.
Alice Walker escreveu “A cor púrpura”, livro
premiado com o Pulitzer e que foi adaptado para o cinema. Outras obras:
Vários livros de poesia, romance e não ficção em inglês, como por
exemplo: Once, Meridian e outros, mas em português sei que foi publicado
no Brasil: “O templo de meus familiares”, “Vivendo pela palavra” e
“Rompendo o silêncio”.
Ana Cristina César
foi uma poetisa brasileira. Conheci um pouco de sua obra no livro “26
poetas hoje”, uma coletânea de vários poetas e poetisas de uma época.
Obras: “Luvas de Pelica”, “A teus pés”, “Inéditos e dispersos” e outros.
É possível adquirir o livro “Ana Cristina César – Poética” que contem
toda sua obra reunida.
Alice Ruiz
escreveu 21 livros, entre eles poesias, haikais, traduções e até uma
história infantil. Recebeu o prêmio Jabuti pela obra “Dois em um”.
Também compõe letras de músicas. Obras: “Nuvem feliz”, “Desorientais”,
“Dois haikais”, “Estação dos bichos” e outros. Confira as outras obras
nesse link.
Chimamanda Adichie é
uma escritora nigeriana e muito conhecida pela sua palestra no TED sobre
“O perigo das histórias únicas” e “Todos nós deveríamos ser
feministas”. Ganhou ainda mais notoriedade quando seu discurso sobre
feminismo foi incorporado na música Flawless da Beyoncé. Obras:
“Americanah”, “Hibisco roxo”, “Meio sol amarelo”
Léonora Miano nasceu em Camarões e se naturalizou
francesa. Foi a primeira autora de origem africana a ganhar o prêmio
Femina. Obras traduzidas: Até então só achei “Contornos do dia que vem
vindo”.
Louisa May Alcott escreveu obras infanto-juvenis. Obras: “As quatro irmãs”, “As filhas do Dr. March” e “Mulherzinhas”.
Marguerite Duras escreveu peças de teatro, novelas,
filmes e narrativas curtas. Obras: “O amante”, “O amante da China do
norte” “Barragem contra o pacífico” e “Cadernos da Guerra e outros
textos”.
Xinran é uma chinesa que publicou vários livros, o
título “As boas mulheres da China” conta diversas histórias de mulheres
que ela entrevistou e mostra as dificuldades das chinesas quanto ao
machismo. Outras obras: “Enterro Celestial”, “Mensagens de uma mãe
chinesa desconhecida”, “O que os chineses não comem”, “As filhas sem
nome” e “Testemunhas da China”.
Mary Shelley
é autora do clássico da literatura Frankenstein e sua obra “O último
homem” tem muita influência no mundo da ficção científica. Outras obras:
“Mathilda” e “Lodore”.
Regina Navarro Lins é autora de 11 livros e escreve
sobre relacionamento amoroso/sexual. Obras: as mais conhecidas são “A
cama na varanda” e “O livro do amor”.
Ava Dellaira publicou seu primeiro livro, nomeado no
Brasil de “Cartas de amor aos mortos”. No momento trabalha na indústria
cinematográfica, enquanto escreve seu segundo livro. “Cartas de amor
aos mortos” conta a história de uma menina que perdeu a irmã mais velha.
Prestes a iniciar o ensino médio, mudou de escola para fugir das
pessoas comentando o falecimento e no colégio novo, a professora propôs
uma tarefa de escrever uma carta para alguém que já morreu.
Adélia Prado é uma poetisa que nasceu e vive em
minha cidade, Divinópolis. Obras: “O Pelicano”, “O homem da mão seca”,
“Terra de Santa Cruz”, “Manuscritos de Felipa” e outros.
Marjane Satrapi é uma romancista gráfica que nasceu em Teerã, no Irã. Obras em português: Persepolis e Bordados.
Suzane Collins escreveu a saga “Jogos Vorazes” e
criou uma personagem feminina incrível que é a Katniss Everdeen. A saga é
dividida em três livros e os dois primeiros já foram transformados em
filmes. Obras: ela também escreveu “As crônicas do subterrâneo”, que é
composto por cinco livros.
Lionel Shriver é jornalista e escritora. Escreveu
“Precisamos falar sobre Kevin”, livro posteriormente adaptado para o
cinema. Outras obras traduzidas para o português: “O mundo
pós-aniversário” e “Tempo é dinheiro” (Título original: “So much for
that”).
Maya Angelou tem uma vasta obra, mas infelizmente
parece não haver muitos livros dela traduzidos para o português. Só
achei o “Carta a minha filha”, mas para quem lê em inglês, cito “On the
pulse of morning”, “I know why the caged bird sings” e “The heart of a
woman”.
Marina Colasanti publicou 33 livros. Alguns contos,
histórias infantis e poesia. Obras: “Hora de alimentar serpentes”, “Uma
idéia toda azul, “Minha guerra alheia”, “Poesia em 4 tempos” e outros
que você pode conferir nesse link aqui.
Simone de Beauvoir foi escritora e filósofa. Muitas
pessoas acham que a única obra de Simone foi “O Segundo Sexo” e só a
conhecem como feminista e não sabem que ela também escreveu romances.
Outras obras: “Os Mandarins”, “A convidada”, “A cerimônia do adeus”, “A
longa marcha”, “A mulher desiludida” e “As belas imagens”.
Anaïs Nin é um nome para quem gosta de literatura permeada de um certo erotismo. Obras: “Pequenos Pássaros”, “Delta de vênus” e “Fogo”.
Carola Saavedra é uma escritora e tradutora que
nasceu no Chile, mas veio para o Brasil aos três anos de idade. Recebeu o
prêmio APCA de melhor romance pelo livro “Flores azuis”. Obras: “Flores
azuis”, “O inventário das coisas ausentes”, “Toda terça”, “Paisagem com
dromedário” e “Do lado de fora”.
Charlaine Harris
escreveu a série “The Southern Vampire Mysteries” que conta as aventuras
de uma garçonete telepata que é amiga de vampiros, lobisomens e outras
criaturas estranhas. A série True Blood é baseada nessa série de livros.
Outras obras: série “Aurora Teagarden” e série “Shakespeare”.
Cora Coralina foi uma poetisa e contista brasileira.
Obras: “Meu livro de cordel”, “Tesouro da Casa Velha”, “A moeda de ouro
que o pato engoliu”, “Vintém de cobre – meias confissões de Aninha”.
Virginia Woolf foi uma das representantes do
modernismo, escritora, editora e feminista. Pra mim a principal
característica de sua escrita, é que cada linha diz mais do que aparenta
dizer. Escreveu “Um teto todo seu”, “As Ondas”, “Noite e dia”, “Mrs.
Dalloway”, “Orlando”, “Quarto de Jacob” e outros.
Elvira Vigna é uma escritora, ilustradora e
jornalista brasileira. Já recebeu o Prêmio Jabuti como ilustradora e
como escritora de livros infantis. Ela começou sua carreira escrevendo
literatura infanto-juvenil, mas hoje tem romances e contos publicados
fora desse nincho. Seu livro “Nada a dizer” recebeu o prêmio de ficção
da Academia Brasileira de Letras. Outras obras: “Por Escrito” e “O
assassinato de Bebê Martê”.
Jane Austen foi uma escritora inglesa que hoje é
considerada autora de obras clássicas. Suas obras mais conhecidas são
“Orgulho e Preconceito” e “Razão e Sensibilidade”, visto que foram
adaptadas para o cinema. Outras obras: “Persuasão”, “Emma” e “Mansfield
park”.
Eliane Brum é jornalista, escritora e
documentarista. Escreve em alguns portais jornalísticos brasileiros como
colunista, mas já se enveredou também para o mundo dos romances ao
escrever “Uma Duas”. Obras: “A vida que ninguém vê”, “A menina quebrada”
e “Meus desacontecimentos”.
Conceição Evaristo é
uma escritora brasileira que conciliou os estudos com o trabalho de
empregada doméstica. Suas obras abordam temas como discriminação racial,
de gênero e de classe. O romance “Ponciá Vicêncio” foi traduzido para o
inglês e publicado nos EUA. Outras obras: “Becos da Memória” e
“Insubmissas lágrimas de mulheres”.
Lygia Bojunga é uma escritora brasileira que escreve
literatura infantil e infanto-juvenil. Sua obra já foi traduzida para
13 idiomas, entre eles japonês, sueco e espanhol. Obras: “Corda Bamba”,
“Retratos de Carolina”, “O sofá estampado” e “Os colegas”.
Toni Morrison recebeu o Nobel de Literatura em 1993.
Seus romances retratam a vida de mulheres negras nos EUA. Seu livro “O
olho mais azul” é um verdadeiro estudo de raça e gênero. Obras:
“Paraíso”, “Jazz”, “Amada”, “Amor” e “Tar Baby”.
Paulina Chiziane nasceu
em Moçambique e foi a primeira mulher de seu país a publicar um
romance. Obras: “Balada de amor ao vento”, “Niketche: uma história de
poligamia”, “O alegre canto da Perdiz” e “Ventos do apocalipse”
Nadine Gordimer publicou mais de trinta livros e foi
uma das vozes sul-africanas contra o apartheid. Seus livros ganharam
notoriedade internacional e ela recebeu um Nobel de Literatura em 1991.
Obras: “O melhor tempo é o presente”, “O engate”, “De volta à vida” e
“Contando histórias”.
Lygia Fagundes Telles é uma escritora brasileira que
já ganhou o Prêmio Camões. Obras: “Ciranda de Pedra”, “Verão no
Aquário”, “As horas nuas”, “O cacto vermelho”, “Seminário de ratos” e
“Antes do baile verde”.
Cristiana Sobral é atriz e escritora. Obras:
“Cadernos Negros”, “Não vou mais lavar os pratos” e “Espelhos,
miradouros, dialéticas de percepção”.
Aline Valek é uma escritora feminista brasileira.
Lady Sybylla é uma entusiasta da ficção científica. Também é feminista, professora e geógrafa, além de blogar no site “Momentum Saga“.
Jarid Arraes é uma feminista que escreve cordéis e textos de opinião no “Questão de Gênero” da revista Fórum.
Alguns títulos de seus cordéis são “Chica gosta é de mulher”, “Dandara
dos Palmares”, “Dora, a negra e feminista”, e “A menina que não queria
ser princesa”.
Alliah é genderfluid, feminista, escritora e artista visual. Você pode conhecer o seu trabalho assinando a newsletter “Alliahverso“.
Clara Averbuck é escritora e também feminista. Escreve no site “Lugar de Mulher”
e já publicou alguns livros, como “Vida de gato”, “Das coisas
esquecidas atrás da estante”, “Cidade Grande no Escuro” e está
escrevendo “Toureando o Diabo”.


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