Orientação de Estudos (Fernanda Junqueira)
A diferença entre a aula particular e a
Orientação de Estudos se situa na forma como é abordado o conteúdo
escolar. Enquanto a aula particular retoma e fixa o conteúdo escolar já
visto isto é, reforça o ensino, a Orientação de Estudos usa esse mesmo
conteúdo não como fim, mas como estratégia para transformar a relação do
aluno com a aprendizagem, relação esta quase sempre desgastada
comprometendo a motivação e a autoconfiança do aluno nas suas reais
possibilidades.
O trabalho se inicia com a identificação
dos valores que o aluno confere ao aprendizado acadêmico. A grande
maioria não sabe para que estuda, o que é expresso de maneira clara em
comentários feitos por eles, tais como: “Do que vai adiantar saber
Revolução Francesa na hora de procurar emprego?”, “Vou à escola porque
sou obrigado”, “Só estudo para tirar nota na prova”. Portanto, a primeira etapa do atendimento visa uma mudança de atitude que é fundamental para o desenvolvimento da aprendizagem.
O ato de aprender depende de uma série
de fatores entre eles a organização, que se baseia num planejamento, na
escolha de procedimento de estudos e na monitoração da própria
aprendizagem. Dificuldade para se organizar geralmente torna o ato de
aprender difícil e cansativa e, não é incomum que o estudante recorre a
alguém para auxiliá-lo nesses procedimentos.
No trabalho de Orientação de Estudos,
cabe ao profissional retomar a questão de organização, avaliando junto
com o aluno, através do conteúdo escolar em que etapa o problema pode
estar ocorrendo e retomar este processo para que o aluno possa, ao longo
do trabalho, ir se tornando um agente ativo de sua própria
aprendizagem.
Sujeito do processo, agente do seu
aprender, o aluno conquista aos poucos a confiança em si próprio e nas
suas possibilidades tornando-se mais independente e autônomo, alterando a
sua relação com o aprendizado acadêmico que é sempre o motivo que o
traz para o trabalho de Orientação de Estudos.
Na minha experiência, ao longo de
dezessete anos, os problemas passam basicamente pela falta de
organização e de hábitos de estudo. Poucos sabem usar de forma correta a
agenda escolar, registrar as informações em sala de aula, fazer resumos
e pesquisas, porque, para muitos alunos, pesquisar significa copiar e
imprimir. Administrar o tempo, que é uma forma de se organizar, também é
um desafio para muitos alunos que só conseguem com o auxilio de um
adulto.
O trabalho de Orientação de Estudos é
realizado em duas direções: auto-organização e auto-monitoração do
aprendizado. Por auto-organização entende-se saber organizar seu tempo,
seus espaços (inclusive local de estudos, armários, prateleiras, etc…),
seu material, sua agenda, desenvolver hábitos de estudo, de pesquisa, de
registro da informação. Auto-monitoração é a possibilidade do aluno
desenvolver novas técnicas que possibilitem avaliar seu próprio
desempenho.
Para que esses objetivos sejam
alcançados, é necessário estabelecer parcerias com a escola, com os
profissionais que realizam outros atendimentos e principalmente com os
pais, pois entende-se que as dificuldades que um aluno apresenta não se
restringem apenas ao ambiente escolar.
Finalizando, a tônica principal desse
trabalho é “fazer justo”, é “estar justo”, é ser parceiro do aluno,
ajudando-o a desenvolver suas próprias estratégias, a encontrar seu
“tempo” necessário, pois no momento em que ele consegue se
auto-disciplinar, a possibilidade de se manter como aprendente se
amplia, inscrevendo-o no mundo globalizado, o mundo da aprendizagem
contínua.
Fernanda Junqueira
Orientadora de Estudos. Atendimento a crianças e adolescentes
Orientadora de Estudos. Atendimento a crianças e adolescentes



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